Sangramento no Nariz no Tempo Seco: O Que Fazer

Sangramento no nariz costuma assustar mais pela cena do que pela gravidade. A mancha vermelha no lenço, a corrida até a pia, aquela dúvida se é grave. Na maioria absoluta das vezes, não é. A epistaxe, nome técnico para o nariz sangrando, chega a atingir até 60% dos adultos em algum momento da vida, segundo a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. E existe uma época em que ela bate mais na porta: exatamente agora.

Com o ar seco do inverno e os alertas de baixa umidade que o INMET vem emitindo por boa parte do país em julho, muita gente tem acordado com o travesseiro manchado sem entender direito o porquê. A boa notícia é que dá para resolver a maioria dos episódios em casa, desde que você faça a coisa certa nos primeiros minutos. E é aí que muita gente erra.

Por que o tempo seco faz o nariz sangrar

O nariz é mais trabalhador do que parece. Ele filtra, aquece e umidifica todo o ar que você respira antes de mandar para os pulmões. Para dar conta disso, a parte de dentro é revestida por uma mucosa fina, cheia de vasinhos que ficam logo abaixo da superfície. Quando o ar está úmido, essa mucosa vive bem hidratada e protegida.

Quando a umidade despenca, a história muda. A mucosa resseca, forma casquinhas e fica frágil. Qualquer coisa passa a ser suficiente para romper um daqueles vasos: um espirro mais forte, assoar o nariz, coçar por dentro, ou nem isso. Segundo reportagem da Agência Brasil, a baixa umidade combinada com poeira e fumaça no ar cria o cenário perfeito para o ressecamento das vias respiratórias e o rompimento desses vasos.

Não é coincidência que os casos apareçam em julho. Boa parte do Brasil passou o mês sob alerta amarelo do INMET, com a umidade relativa do ar caindo para a faixa de 20% a 30% em várias cidades, bem abaixo dos 60% que a Organização Mundial da Saúde considera confortável, como noticiou O Tempo. Some a isso o aquecedor ligado, o cobertor no rosto e as trocas bruscas de temperatura, e o nariz sofre.

Quase sempre sangra na frente (e isso é bom sinal)

A maior parte dos sangramentos nasais acontece na parte da frente do nariz, na região do septo que fica logo depois das narinas. Ali existe uma rede de vasos bem superficiais e sensíveis. É o tipo de sangramento que responde bem à pressão que você mesmo faz com os dedos, e que costuma parar em poucos minutos.

Sangramentos que vêm lá de trás, do fundo do nariz, são bem mais raros e aí sim exigem atendimento, porque não param com compressão em casa e costumam ter causa mais séria por trás. Mas esse não é o caso da maioria das pessoas que sangra no tempo seco. Guardar isso na cabeça ajuda a não entrar em pânico na hora.

O que fazer na hora que o nariz começa a sangrar

O objetivo é simples: pressionar o ponto que está sangrando e deixar o corpo formar o coágulo. Parece óbvio, mas quase ninguém faz do jeito certo. O passo a passo é este:

  1. Sente-se e incline a cabeça levemente para a frente, nunca para trás.
  2. Com o polegar e o indicador, aperte a parte mole do nariz (aquela cartilagem logo acima das narinas, não o osso duro em cima).
  3. Mantenha a pressão firme e sem soltar por 10 a 15 minutos seguidos. Nada de checar a cada minuto para ver se parou, porque isso desfaz o coágulo que está começando a se formar.
  4. Respire pela boca com calma. Se quiser, coloque uma compressa fria na testa ou na nuca, que ajuda a contrair os vasos.

Quinze minutos parecem uma eternidade quando o sangue está escorrendo, mas é esse tempo que o organismo precisa. Solte devagar depois do prazo. Se ainda estiver saindo sangue, faça mais um ciclo completo antes de decidir qualquer outra coisa.

O erro clássico: jogar a cabeça para trás

Esse é o reflexo de quase todo mundo, e é justamente o que não se deve fazer. Ao inclinar a cabeça para trás, o sangue não para de sair, ele só muda de caminho e escorre pela garganta. O resultado é engolir sangue, o que costuma dar enjoo e até vômito, além do risco de aspirar para o pulmão. E tem um problema prático: você perde a noção se o sangramento parou ou não, porque some da vista.

Inclinar para a frente é chato, mais bagunçado, mas é o certo. O sangue sai pela narina, você enxerga o que está acontecendo e não engole nada. Vale trocar o hábito antigo por esse.

Depois que parou, não estrague o coágulo

O coágulo recém-formado é frágil e demora algumas horas para firmar de vez. Por isso, nas horas seguintes, evite assoar o nariz, coçar por dentro ou enfiar o dedo para tirar a casquinha. Também é melhor não fazer esforço pesado, não se abaixar de cabeça para baixo e evitar banho muito quente e demorado, porque o calor dilata os vasos. Basicamente, deixe o nariz em paz pelo resto do dia.

Como evitar que volte enquanto o ar estiver seco

Se o problema é o ressecamento, a prevenção passa por devolver umidade ao nariz e ao ambiente. A lavagem nasal com soro fisiológico é a medida mais simples e eficaz: pingar ou borrifar soro algumas vezes ao dia mantém a mucosa hidratada e reduz as casquinhas. Vale mais como hábito de manutenção do que como socorro no meio da crise.

Dentro de casa, o INMET recomenda manter os ambientes arejados e usar umidificadores ou simplesmente deixar bacias com água pelos cômodos, principalmente no quarto durante a noite. Beber água ao longo do dia também conta, porque a hidratação de dentro para fora ajuda a mucosa. Se você já convive com rinite alérgica ou está no meio de uma sinusite de tempo seco, redobre esses cuidados, porque o nariz já está mais inflamado e sensível. O mesmo raciocínio de proteger a pele e as mucosas no inverno vale aqui: quem sofre com pele seca nesta época geralmente também sente o nariz ressecar.

Quando procurar um médico

A grande maioria dos sangramentos para em casa. Mas alguns sinais pedem avaliação, e vale conhecê-los para não subestimar nem exagerar. Procure atendimento se:

  • O sangramento não parar depois de 20 minutos de compressão correta e contínua.
  • O volume for grande, com dificuldade para respirar, palidez ou sensação de fraqueza.
  • Os episódios se repetirem com frequência, mais de uma vez por semana, sem explicação clara.
  • Você usa anticoagulante, tem distúrbio de coagulação ou pressão alta descontrolada.
  • O sangramento vier depois de uma pancada forte no rosto ou na cabeça.
  • Acontecer em idoso acompanhado de outros sintomas, ou em criança bem pequena.

Nesses casos, o otorrinolaringologista consegue localizar o ponto que sangra e, se preciso, cauterizar. A epistaxe recorrente também funciona como um aviso do corpo: às vezes o nariz seco é só a ponta de algo que merece investigação, como pressão alta ou problema de coagulação. Não é para assustar, é para não ignorar quando o padrão foge do comum.

Fontes consultadas

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico ou profissional de saúde. Se você tem dúvidas sobre sua saúde, consulte um especialista.

Caio Correa — Pesquiso e escrevo sobre saúde do dia a dia desde que uma pedra no rim me obrigou a entender o próprio corpo. Não sou médico: todo artigo aqui parte de fontes oficiais. Conheça o Saúde Cotidiana.

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