Sinusite no tempo seco: por que ela ataca e como aliviar

Sinusite é daqueles problemas que avisam que chegaram: a cabeça pesa, o rosto dói quando você abaixa para calçar o tênis e o nariz entope de um jeito que nenhuma assoada resolve. E o meio do ano é a temporada perfeita para ela. Os vírus respiratórios seguem circulando forte no Brasil, com o rinovírus, o vírus do resfriado comum, respondendo por 23,1% dos casos positivos em pacientes graves nas últimas semanas, segundo o boletim InfoGripe da Fiocruz. Junte a isso o ar seco de julho, que nesta semana colocou Belo Horizonte em alerta de tempo seco, e está montado o cenário que lota consultórios de otorrino nessa época.

Por que o tempo seco mexe com os seios da face

Os seios da face são cavidades ósseas ao redor do nariz, das maçãs do rosto e dos olhos. Eles não estão ali à toa: aquecem o ar que você inspira, dão ressonância à voz e deixam o crânio mais leve. Por dentro, são forrados por uma mucosa que produz muco o tempo todo, e esse muco escorre de forma contínua e imperceptível, levando embora poeira e micro-organismos, como explica o Ministério da Saúde.

Esse sistema depende de umidade para funcionar. Quando o ar seca, o muco engrossa e os cílios que o empurram perdem eficiência. A secreção que deveria escorrer fica parada, e secreção parada é convite para inflamação e para germes oportunistas. É por isso que a sinusite adora o inverno do Brasil central: pouca chuva, umidade lá embaixo e todo mundo em ambiente fechado, trocando vírus.

O resfriado costuma ser o gatilho inicial. A mucosa já inflamada pela infecção incha, bloqueia a drenagem dos seios da face, e o que era um resfriado de uma semana vira semanas de pressão no rosto.

Sinusite ou rinite: não é a mesma coisa

Muita gente usa os dois nomes como sinônimos, e dá para entender a confusão: nariz entupido, coriza, mal-estar. Mas são problemas diferentes. A rinite é a inflamação da mucosa do nariz, quase sempre alérgica, com crises de espirros em sequência e coceira. A sinusite acontece mais para dentro, nos seios da face, e o sintoma que a entrega é a dor ou pressão no rosto, junto com secreção mais espessa, amarelada ou esverdeada.

As duas andam juntas com frequência. Quem tem rinite mal controlada vive com a mucosa nasal inchada, o que atrapalha a drenagem dos seios da face e abre caminho para a sinusite. Se você vive de crise em crise de espirros, vale ler nosso artigo sobre rinite alérgica e conversar com um médico sobre controle da alergia. Tratar a rinite é, na prática, prevenir sinusite.

Os sintomas que entregam a sinusite

O quadro clássico da sinusite aguda, segundo o Ministério da Saúde, combina alguns sinais:

  • Dor de cabeça na região do seio da face afetado: testa, maçãs do rosto ou ao redor dos olhos, que piora ao abaixar a cabeça;
  • Sensação de pressão ou peso no rosto e na cabeça;
  • Nariz entupido com secreção amarela ou esverdeada, às vezes com traços de sangue;
  • Febre, cansaço, tosse e perda de apetite.

Um detalhe que confunde: nem toda dor na testa é sinusite. Enxaqueca também dói na região da testa e dos olhos, e muita gente passa anos tratando “sinusite” que na verdade é enxaqueca. A pista está no conjunto: sinusite vem acompanhada de secreção e nariz entupido; enxaqueca costuma vir com enjoo e incômodo com luz e barulho.

Aguda ou crônica: o que muda

A sinusite aguda é a mais comum: aparece depois de um resfriado ou crise alérgica, incomoda por alguns dias ou semanas e vai embora com o tratamento certo. Na crônica, os sintomas se arrastam e mudam de cara. A dor no rosto e a febre podem sumir, e quem assume o protagonismo é a tosse, principalmente à noite e de manhã cedo. Isso acontece porque a secreção escorre por trás do nariz quando a pessoa deita e irrita as vias aéreas.

Essa tosse noturna que “não tem explicação” engana muita gente. A pessoa trata a garganta, troca o travesseiro, corta o cafezinho da noite, e a tosse continua, porque a origem está nos seios da face. O Ministério da Saúde alerta que a sinusite mal tratada pode se tornar crônica, e aí a resolução fica bem mais demorada.

O que alivia de verdade

A boa notícia: boa parte do alívio da sinusite não depende de remédio caro, e sim de devolver umidade e movimento à secreção presa.

Água, muita água. A recomendação do Ministério da Saúde é beber pelo menos 2 litros por dia durante gripes, resfriados e crises alérgicas. Secreção hidratada escorre; secreção ressecada impacta e inflama.

Soro fisiológico no nariz, várias vezes ao dia. Pingar ou borrifar solução salina nas narinas ajuda a fluidificar o muco e lavar a mucosa. É simples, barato e provavelmente a medida isolada mais eficiente para desafogar o nariz.

Inalação com soro ou vapor. A inalação com soro fisiológico ou o vapor do banho quente ajudam a soltar a secreção. Dez minutos de banho quente com o vapor concentrado no box funcionam como uma inalação improvisada no fim do dia.

Umidade no ambiente. Em semana de ar seco, bacia de água no quarto, toalha úmida estendida ou umidificador fazem diferença, principalmente para dormir. O objetivo não é transformar o quarto numa sauna, é só tirar o ar do nível “deserto”.

E um alerta importante: antibiótico não é rotina no tratamento de sinusite. A maioria dos casos começa viral, e antibiótico não age contra vírus. Quem decide se o quadro evoluiu para uma infecção bacteriana que precisa de antibiótico é o médico. Tomar por conta própria só cobra um preço, sem dar retorno.

O que piora sem você perceber

O ar-condicionado é o vilão discreto dessa história. Segundo o Ministério da Saúde, além de ressecar as mucosas e dificultar a drenagem da secreção, ele pode espalhar agentes infecciosos, principalmente fungos, que contaminam os seios da face. Se não der para evitar, vale ao menos redobrar a hidratação e o soro no nariz nos dias de exposição longa.

Cigarro e fumaça também irritam a mucosa e paralisam os cílios que limpam as vias respiratórias. E o hábito de assoar o nariz com força demais, fechando uma narina e explodindo a outra, pode empurrar secreção contaminada para dentro dos seios da face. O jeito certo é assoar com delicadeza, uma narina de cada vez, de preferência depois de lavar com soro.

Quem tem asma merece atenção dobrada nessa época: a mesma combinação de ar seco e vírus que inflama os seios da face também aperta os brônquios, como mostramos no artigo sobre asma no inverno.

Quando procurar um médico

Procure atendimento se a dor no rosto for intensa ou vier com febre alta que não cede; se os sintomas passarem de 10 dias sem melhora ou melhorarem e piorarem de novo, o que pode indicar infecção bacteriana; se houver inchaço ou vermelhidão ao redor dos olhos, alteração na visão ou dor de cabeça muito forte e diferente do habitual, sinais que pedem avaliação de urgência.

Também vale marcar consulta, sem urgência, se as sinusites se repetem várias vezes ao ano ou se a tosse noturna se arrasta há semanas. O Ministério da Saúde recomenda avaliação com otorrinolaringologista nos quadros que não melhoram com o tratamento convencional, inclusive para investigar sinusite fúngica, uma forma menos comum que exige acompanhamento especializado.

Sinusite não costuma ser grave, mas transforma semanas inteiras em dias arrastados, de cabeça pesada. Com umidade, soro fisiológico e um pouco de paciência, a maioria dos quadros se resolve bem. E se não resolver, não insista sozinho: é exatamente aí que o médico entra.

Fontes consultadas

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico ou profissional de saúde. Se você tem dúvidas sobre sua saúde, consulte um especialista.

Caio Correa — Pesquiso e escrevo sobre saúde do dia a dia desde que uma pedra no rim me obrigou a entender o próprio corpo. Não sou médico: todo artigo aqui parte de fontes oficiais. Conheça o Saúde Cotidiana.

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