
Quem nunca teve enxaqueca não sabe bem o que é. Não é uma simples dor de cabeça que passa com um analgésico comum. É uma dor latejante, muitas vezes em um lado só, que pode durar horas ou dias, acompanhada de náusea, vômito e hipersensibilidade tão intensa que luz e som se tornam insuportáveis.
A enxaqueca afeta cerca de 15% da população mundial e é mais comum em mulheres do que em homens. Ela tem base neurológica, é reconhecida como doença crônica e responde bem a estratégias de prevenção quando os gatilhos são bem identificados.
Como reconhecer uma enxaqueca
A dor da enxaqueca tem características específicas que a diferenciam de outras cefaleias:
- Dor pulsátil ou latejante
- Geralmente unilateral, embora possa afetar os dois lados
- Intensidade moderada a grave, que piora com atividade física
- Náusea e/ou vômito associados
- Fotofobia (sensibilidade à luz) e fonofobia (sensibilidade ao som)
- Duração de 4 a 72 horas sem tratamento
A aura: o sinal que antecede a dor
Cerca de 30% das pessoas com enxaqueca têm o que se chama de aura, sintomas neurológicos transitórios que antecedem ou acompanham a dor. Os mais comuns são visuais: pontos brilhantes, zigue-zagues luminosos, perda parcial do campo visual. Também pode haver formigamento no rosto ou braço e, raramente, dificuldade para falar.
A aura dura de 5 a 60 minutos e regride completamente. Não deixa sequelas na grande maioria dos casos.
Principais gatilhos da enxaqueca
Cada pessoa tem seus gatilhos específicos, mas alguns são especialmente comuns:
- Hormônios: variações de estrogênio são um dos gatilhos mais potentes em mulheres. Muitas têm enxaqueca ligada ao ciclo menstrual.
- Privação ou excesso de sono: dormir mal e até dormir mais que o habitual podem desencadear crises.
- Pular refeições: a queda de glicose no sangue é gatilho frequente. Jejuns prolongados sem preparo costumam provocar crises.
- Estresse: tanto o pico de estresse quanto a fase de relaxamento após um período tenso podem iniciar a dor.
- Cafeína: tanto o excesso quanto a retirada abrupta são gatilhos. Dependência de cafeína e enxaqueca têm relação bem documentada.
- Álcool: especialmente vinho tinto e cerveja escura. O álcool dilata os vasos sanguíneos e pode iniciar a cascata da enxaqueca.
- Luz forte e telas: luz pulsante, luz solar intensa e exposição prolongada a telas podem desencadear crises em pessoas sensíveis.
- Odores fortes: perfumes, cigarro, produtos químicos.
- Mudanças climáticas: alterações de pressão atmosférica afetam algumas pessoas de forma consistente.
O que fazer durante a crise
Agir cedo faz diferença. No início da crise, algumas medidas ajudam a reduzir a intensidade e duração:
- Repouso em ambiente escuro e silencioso
- Compressa fria na testa ou nuca
- Analgésicos comuns (dipirona, ibuprofeno, paracetamol) podem funcionar em crises leves a moderadas quando tomados no início
- Para crises mais intensas, medicamentos específicos para enxaqueca como triptanos são prescritos por neurologistas
- Hidratação: desidratação piora a dor
Prevenção: quando vale a pena
Para quem tem mais de 4 crises por mês ou crises muito incapacitantes, o neurologista pode indicar tratamento preventivo, que visa reduzir a frequência e intensidade antes mesmo de a dor aparecer. Existem opções em comprimidos de uso diário e também injeções mensais mais recentes.
Manter um diário das crises, anotando quando ocorrem, o que comeu, dormiu e fez antes, ajuda a identificar padrões e gatilhos específicos. Essa informação é valiosa para o médico planejar o tratamento.
Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. As informações aqui apresentadas não substituem a consulta, o diagnóstico ou a orientação de um médico, farmacêutico ou outro profissional de saúde habilitado. Em caso de dúvidas sobre sua saúde ou uso de medicamentos, procure sempre um profissional qualificado.
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Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico ou profissional de saúde. Se você tem dúvidas sobre sua saúde, consulte um especialista.
Aura na enxaqueca: o que é e por que acontece
Cerca de 25 a 30% das pessoas com enxaqueca experimentam aura — pontos brilhantes, linhas em ziguezague ou área de visão apagada que se expande lentamente. Pode ocorrer também dormência em um lado do rosto ou dificuldade temporária para encontrar palavras. A aura dura entre 20 e 60 minutos. Enxaqueca com aura está associada a risco levemente aumentado de AVC — especialmente em mulheres que usam anticoncepcional oral — e merece avaliação neurológica.
Diário de enxaqueca: por que manter
Anotar data, horário, duração, intensidade da dor e possíveis gatilhos — alimentos, qualidade do sono, estresse, ciclo menstrual — ajuda a identificar padrões que o próprio paciente não percebe. Com esse histórico, o neurologista define com mais precisão o tratamento preventivo. Dois a três meses de diário já fornecem informação suficiente para uma consulta produtiva.
Enxaqueca crônica: quando a dor vira rotina
Quando as crises de enxaqueca acontecem em 15 ou mais dias por mês, por pelo menos três meses seguidos, o quadro passa a ser chamado de enxaqueca crônica. É uma condição que afeta significativamente a qualidade de vida e merece acompanhamento especializado com neurologista.
Um fator que complica esse quadro é o chamado abuso de medicamentos. Usar analgésicos com frequência muito alta, mais de duas ou três vezes por semana, pode paradoxalmente aumentar a frequência das crises. É o que a literatura médica chama de cefaleia por uso excessivo de medicamentos.
Manter um diário de crises, anotando duração, intensidade, possíveis gatilhos e medicamentos usados, é uma ferramenta valiosa tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento. Esse registro ajuda o médico a identificar padrões e ajustar a abordagem terapêutica com mais precisão.