Labirintite: Por Que Acontece, Quais os Sintomas e o Que Fazer

A labirintite aparece, muitas vezes, sem aviso. A pessoa está no trabalho, ou simplesmente levantando da cama, e de repente o quarto gira. Tontura forte, náusea, a sensação de que o chão sumiu. Quem já passou por isso sabe como é assustador, e quem ainda não passou provavelmente vai querer entender o que é labirintite antes de se deparar com um episódio assim.

O termo “labirintite” é usado com frequência no Brasil para descrever qualquer tontura intensa, mas tecnicamente ele se refere à inflamação do labirinto, estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio e pela audição. Quando ela inflama, o sistema que diz ao seu cérebro onde está seu corpo no espaço começa a mandar sinais errados. O resultado é aquele desequilíbrio intenso que parece não ter fim.

Por que a labirintite acontece?

A causa mais comum é viral. O mesmo grupo de vírus que provoca gripe, herpes ou outras infecções pode atingir o labirinto e causar inflamação. Por isso é bastante comum que uma crise apareça dias depois de um resfriado forte ou de uma gripe mal resolvida.

Mas existem outras causas que pouca gente associa à tontura. Infecções bacterianas, embora mais raras, também podem chegar ao ouvido interno. O estresse crônico e a privação de sono enfraquecem o sistema imunológico e deixam o organismo mais vulnerável a essas inflamações. Problemas de circulação que reduzem o fluxo sanguíneo para o ouvido interno também entram na lista. E há situações em que a labirintite é recorrente e está ligada a outras condições, como a doença de Ménière ou alterações na pressão da endolinfa, um líquido que circula dentro do labirinto.

Fatores como consumo excessivo de cafeína, sal, álcool e até alguns medicamentos podem piorar episódios em quem já tem predisposição. Não é por acaso que a tontura muitas vezes piora em períodos de mais estresse ou hábitos irregulares.

Labirintite: os sinais que costumam aparecer

O sinal mais característico é a vertigem, aquela sensação de que tudo ao redor está girando, mesmo com você parado. Mas ela raramente vem sozinha. Na maioria dos casos, aparece junto com náusea e vômito, dificuldade para caminhar em linha reta, nistagmo (movimento involuntário dos olhos) e, em alguns casos, zumbido no ouvido ou perda parcial da audição.

A duração varia bastante. Uma crise aguda pode durar algumas horas. Mas em casos mais sérios, a tontura persistente e a sensação de instabilidade podem durar dias ou até semanas. A pessoa consegue ficar em pé, mas sente que o equilíbrio não voltou completamente.

Existe também uma confusão frequente com outro problema chamado VPPB (Vertigem Posicional Paroxística Benigna), que provoca tontura ao mudar de posição, especialmente ao deitar ou virar na cama. O VPPB tem tratamento específico com manobras de reposicionamento, o que reforça a importância de consultar um médico para entender exatamente o que está causando os sintomas. Falar de labirintite quando o problema é outro pode atrasar o tratamento certo.

Se você sentiu tontura forte e também notou batimento cardíaco acelerado ou dor no peito, vale ler sobre como diferenciar os sintomas de ansiedade e infarto, porque esses quadros às vezes se sobrepõem e causam confusão.

O que fazer durante e depois de uma crise

No momento da crise, a orientação mais prática é deitar em um ambiente tranquilo, com pouca luz, e evitar movimentos bruscos de cabeça. Tentar se movimentar muito durante a vertigem intensa aumenta a náusea e o desconforto. Água em pequenos goles ajuda, especialmente se houver vômito.

Depois que a fase mais aguda passa, o médico pode indicar medicamentos para controlar a tontura e a náusea, além de investigar a causa subjacente. Em casos virais, o tratamento é principalmente de suporte. Em casos bacterianos, antibióticos podem ser necessários. E em quadros recorrentes, pode ser preciso investigar condições mais específicas do ouvido interno.

Existe ainda a reabilitação vestibular, um conjunto de exercícios feitos com fisioterapeuta ou fonoaudiólogo especializado, que ajudam o cérebro a se adaptar às alterações do equilíbrio. Funciona bem principalmente para quem sente instabilidade mesmo depois que a fase aguda passou.

Curiosamente, um sono ruim e irregular pode tanto desencadear crises quanto prolongar a recuperação. Há uma relação direta entre qualidade do sono e sistema vestibular que ainda é subestimada. Se você acorda cansado com frequência, pode ser um sinal de que algo no seu descanso não está funcionando bem, e isso tem impacto em várias funções do organismo além do equilíbrio.

Quando procurar atendimento médico

Tontura isolada e passageira nem sempre é motivo de urgência. Mas alguns sinais pedem atenção mais rápida. Vale buscar atendimento se a tontura for intensa e durar mais de 20 a 30 minutos, se vier acompanhada de dor de cabeça forte e repentina, se houver dificuldade para falar, visão dupla, fraqueza em um lado do corpo ou perda de audição súbita.

Esses sinais juntos à tontura podem indicar outras condições que precisam de avaliação rápida, como problemas vasculares. Vale lembrar que a pressão baixa também pode causar tontura e confunde bastante as pessoas, por isso o diagnóstico correto sempre depende de avaliação clínica.

Crises repetidas também merecem investigação. Labirintite recorrente sem causa identificada pode ser sinal de algo que precisa de acompanhamento especializado, geralmente com otorrinolaringologista e, em alguns casos, neurologista.

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo. Tontura e vertigem têm muitas causas possíveis, e identificar a origem certa faz toda a diferença no tratamento. Se você está passando por episódios assim, vale conversar com um médico para uma avaliação adequada.


Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. As informações aqui apresentadas não substituem a consulta, o diagnóstico ou o tratamento médico profissional. Em caso de dúvidas sobre sua saúde, procure um médico ou profissional de saúde habilitado.

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Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico ou profissional de saúde. Se você tem dúvidas sobre sua saúde, consulte um especialista.

Reabilitação vestibular: o que é e quando é indicada

A reabilitação vestibular é um conjunto de exercícios supervisionados por fisioterapeuta que ajuda o sistema de equilíbrio a se reorganizar após um episódio de labirintite. O objetivo é treinar o cérebro para compensar as informações incorretas que o labirinto inflamado estava enviando.

As sessões costumam envolver movimentos controlados de cabeça e olhos, exercícios de equilíbrio progressivos e adaptação a diferentes superfícies. Os resultados aparecem com constância — geralmente entre quatro e oito semanas de prática regular. Quem faz a reabilitação costuma se recuperar mais rápido e com menos risco de crises recorrentes.

Labirintite e ansiedade: uma relação que se alimenta

Quem já teve uma crise de labirintite sabe o quanto a experiência é assustadora. E esse susto tem consequências: muitas pessoas desenvolvem ansiedade antecipatória após o primeiro episódio. O medo de uma nova crise faz com que fiquem hipervigilantes a qualquer sensação de tontura, o que por si só pode desencadear novas vertigens — num ciclo que se retroalimenta.

O estresse crônico também é um fator que pode precipitar crises em pessoas predispostas. Por isso o tratamento completo da labirintite recorrente costuma envolver não só o otorrinolaringologista, mas às vezes também acompanhamento psicológico. Tratar a ansiedade reduz a frequência das crises de forma mensurável.

O que comer e evitar durante uma crise de labirintite

Durante a fase aguda, refeições leves e fáceis de digerir são preferíveis — o estômago também fica sensível quando há náusea intensa. Alimentos salgados em excesso podem agravar a retenção de líquidos no ouvido interno em algumas pessoas. Cafeína e álcool são contraindicados durante a crise porque podem intensificar os sintomas vestibulares. Hidratação adequada com água é importante, especialmente se houver vômitos. Após a fase aguda, não existe dieta específica obrigatória para labirintite simples — mas quem tem a condição de Ménière associada deve seguir orientação nutricional do médico, que costuma incluir restrição de sódio e cafeína de forma mais rigorosa.

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